Translado

O local do sepultamento tornou-se então um centro devocional, atraindo pessoas de muitas localidades e dando origem à romaria, que ora se realiza todos os anos, no terceiro domingo de maio, em Nonoai, para onde foram transladados os restos mortais dos dois mártires, sepultados ao lado do Santuário de Nossa Senhora da Luz, num complexo de visitação de fiéis, que ali ocorrem, deixando seus ex-votos em sala contígua, em razão das graças alcançadas.

Em Três Passos, Terra Sagrada onde aconteceu o martírio, desde 1993, é realizado no último domingo de maio a Romaria onde os fiéis saem em caminhada da frente da igreja matriz Santa Inês, percorrendo 5 km até a localidade do Feijão Miúdo, local onde aconteceu o martírio, hoje denominado Parque do Santuário dos Beatos Mártires do Rio Grande do Sul.

TRANSLADO DAS RELÍQUIAS DOS BEATOS MANUEL E ADÍLIO

Quarenta anos se passaram desde o martírio dos Beatos Manuel e Adílio, em 1962 por iniciativa do pároco de Nonoai Padre Miguel de Cock e com o consentimento do bispo da Diocese de Frederico Westphalen Dom João Aloysio Hoffmann,  a comunidade nonoaiense se mobilizou formando uma Comissão Pró-Volta dos Restos Mortais dos Mártires. Após longa peregrinação pelas paróquias e comunidades finalmente as Relíquias dos Beatos chegam a Nonoai, em 31 de maio de 1964. A alegria, emoção e fé tomam conta do povo. Inúmeras autoridades civis, políticas, militares e eclesiásticas estiveram presentes. Este acontecimento marcou a primeira Romaria, desde então ela vem acontecendo ano a ano e a cada edição aumenta mais o número de devotos.

Os textos que seguem abaixo são os relatos históricos de dois historiadores que acompanharam todo o processo Padre Arlindo Rubert autor do livro Servos de Deus e Olmiro Loures Sperry autor do livro Nonohay: Quem te viu Quem te vive. Os textos foram transcritos na integra exatamente como se encontram nos livros.

Os Servos de Deus sobrevivem ao tempo

Sepultados os corpos do Padre Manuel e do Adílio no chão do novo cemitério de Três Passos, suas tumbas começaram a ser visitadas pelos colonos, muitos deles testemunhas do encontro dos corpos na mata e do enterro no domingo, à tardinha, do dia 28 de maio de 1924. Em 1932 o Pe. Sebastião Rademaker foi nomeado por D. Antônio Reis, bispo de Santa Maria, administrador eclesiástico da zona do Alto Uruguai, teatro dos suores e martírio dos Servos de Deus. Pensou logo em erguer um memorial e levar os despojos para o local do martírio em Feijão Miúdo. Era ainda mata virgem. Bem informado pelas testemunhas de vista, levantou uma tosca capela de madeira, encerrando num ângulo parte do tronco da mesma árvore ainda verde, que fora cruz bendita do holocausto do inocente sacerdote. A árvore, um pau-leiteiro, nunca mais crescera. No monumento de alvenaria, foram colocados os venerados restos mortais dos dois mártires, trasladados, com autorização do bispo, do cemitério de Três Passos. Uma lousa de mármore trazia a inscrição: “Aqui descansa, longe de sua terra natal, a Espanha, O Pe. Manuel Gonzalez e ao lado dele o jovem sacristão Adílio Daronghe, ambos barbaramente assassinados no dia 21 de maio de 1924. A justiça de Deus não falha”. Os fiéis se dirigiam ao local para rezar, colocar flores e acender velas. Um colono teve a boa inspiração de colocar, à beira do estradão, duas cruzes, uma maior e outra menor. Junto ao memorial foram colocadas duas pedras ainda existentes, onde estava escrito, na do Pe. Manuel: “Mártir do dever”, na do Adílio, “Mártir em 1924”. Estando o memorial já completo, D. Antônio Reis, em 1937 em visita pastoral a Três Passos, visitou o local do martírio. Em 1956 D. Luiz Vitor Sartori, bispo coadjutor de Santa Maria, estando em Três Passos, referindo-se à morte cruenta dos Servos de Deus, assim se expressou: “...a três passos da cidade de Três Passos, foi cometido um bárbaro e sacrílego crime, que ficou impune pela justiça dos homens, um crime que ainda hoje está a clamar por justiça...” . Em memória do martirizado sacerdote, o vigário e povo de Três Passos empenharam-se em lhe erigir mais amplo memorial no local do martírio, que foi inaugurado a 24 de maio de 1964, no 40º aniversário de sua morte. Em memória do martirizado sacerdote, Feijão Miúdo passou a ser chamado Vila Pe. Gonzalez. O vigário e o povo de Nonoai, por sua vez, reclamaram a volta de seu antigo pároco, a fim de o tumularem dignamente em a nova matriz da cidade. Passaram-se os anos. Em 1964, por iniciativa de D. João Hoffmann, 1º bispo de Frederico Westphalen, a pedido do Pe. Miguel De Cock, pároco de Nonoai, resolveu fazer a trasladação dos ossos, de Três Passos para a nova igreja matriz de Nonoai, onde o Padre Manuel fora pároco desde 1916. Por esta ocasião, foi publicada uma pequena biografia dos Servos de Deus, que teve mais duas edições. A peregrinação com a urna dos dois heróis do Alto Uruguai, partindo do lugar do martírio, foi um triunfo. O bispo D. João, tendo consigo o Pe. Afonso Hensen S. J., acompanhou todo o trajeto. Nos inícios de abril de 1964, partindo da paróquia de Três Passos, as urnas foram levadas a muitas paróquias e capelas. A acolhida foi sempre muito entusiasmada e emocionante. D. João e o Pe. Afonso falavam ao povo com ardor, despertando em toda parte muito entusiasmo. Foi uma verdadeira missão. Na sede da diocese, na igreja catedral de Frederico Westphalen, onde o autor era pároco, houve uma solene recepção, ficando as urnas a noite inteira, havendo missa de hora em hora com numerosas confissões e comunhões. Coisa parecida deu-se noutras paróquias. Mais emocionante foi à visita à paróquia de Planalto, que coincidiu com o 40º aniversário da morte dos Servos de Deus, ficando marcada com a presença de D. Zulmira, irmã do Adílio, e o belo sermão de D. João Hoffmann. No trajeto foram gravadas entrevistas com pessoas antigas, que trouxeram novas achegas para melhor conhecimento dos mártires. A chegada a Nonoai, no dia 31 de maio, revestiu-se de verdadeira apoteose. Mas antes convém relatar alguns pormenores na trasladação. A Câmara de vereadores de Três Passos, por proposta do vereador Osvaldo Bender, consignou um voto de louvor pela feliz iniciativa do Sr. Bispo. Em Crissiumal, o prefeito municipal Pedro Harry Hoffmann, decretou que a aula de ensino primário da Zona Focking, subúrbio da cidade, fosse denominada Escola Professor Manuel Gomez Gonzalez. Em Humaitá, Sede Nova, deu-se uma cena comovente quando a esposa do “rei dos bandidos” Turibião, quis carregar e abraçar a urna que estava sendo levada à igreja local. Em toda parte sucederam-se cenas de verdadeiro entusiasmo e até de devoção. As autoridades faziam questão de transportar as urnas, enquanto os fiéis engalanavam estradas, praças e ruas por onde passavam os sagrados despojos. O bispo, o Pe. Afonso e os sacerdotes das paróquias mostravam-se incansáveis na pregação da palavra de Deus e no confessionário. Por dois meses, a caravana peregrina rumava de uma igreja a outra, sempre acolhida, com ímpar entusiasmo, pelo clero e pelo povo da diocese de Frederico Westphalen, herdeira do trabalho apostólico do valente pároco do sertão rio-grandense. Em Tenente Portela, antiga Pari, por onde passava o Padre Manuel, pouco antes da morte, no dia 4.4.1964, o prefeito municipal Alcides Salomoni fez a seguinte saudação: “Tenente Portela toda bate palmas hoje ao receber-te em seu território. Há quarenta anos peregrinaste por estas paragens e foste saudado pelo cantar dos pássaros e uivar das feras. Hoje são crianças, pais e mães de família que te saúdam. Rogamos nesta tua triunfal peregrinação de retorno à tua paróquia, que esta terra banhada com teu sangue, não seja tarjada pelo luto da discórdia e desunião. E tu, Pe. Manuel, nesta data nascente, irradiando nova glória por sobre esta terra querida, possas ver o Cristo Redentor a viver e reinar, mais que nas alturas do Corcovado, na elevação moral da consciência cristã de cada cidadão portelense. Adeus, Pe. Manuel!”

 

VOLTA A NONOAI

Finalmente, a peregrinação com os ossos dos dois Servos de Deus chegou a Nonoai no dia 31 de maio de 1964. Uma grande multidão aguardava a chegada das urnas. Estavam presentes o Governador do Estado, altas autoridades civis e militares, os bispos de Frederico Westphalen e de Passo Fundo, D. Bruno Maldaner e D. Cláudio Colling, grande número de sacerdotes e cerca de 5000 pessoas. A cidade se achava festivamente engalanada. Com grandes aplausos foram recebidos os despojos.

O Pe. Miguel De Cock não cabia em si de contente por ter alcançado o que tanto desejava, isto é, a volta do Padre Manuel para Nonoai. As autoridades locais foram as primeiras a expressar o contentamento com a volta do Padre Manuel e Adílio, que de Nonoai partiram para o holocausto, mas agora, após 40 anos, voltam para receberem as honras fúnebres que não tinham recebido nas matas de Três Passos. Mas não é o luto que entristece e deixa saudades. É a alegria da paz de Deus que os dois heróis, ainda que mortos, irradiam e ainda falam ao seu povo.

 

Discurso do vereador Antônio Nelso Tasca feito nesta ocasião, interpretando o grande momento.

Após a parte inicial bem elaborada, acrescentou o conteúdo principal. “Nobres autoridades do Estado e do País, brava gente de Nonoai e das regiões circunvizinhas, o que mais nos faz sentir algo de  estranho para a nossa alma, neste momento, não é a honrosa presença de autoridades presentes; não é o comparecimento de numeroso grupo de sacerdotes de Cristo; não são as roupas verde-oliva das forças militares aqui presentes; não são as púrpuras episcopais que diante de nós vemos; não é o comparecimento de tão grande multidão de gente; não é a cidade engalanada de fitas, de flores, de bandeirinhas e de festões; não é a garridice das crianças que vivem este ambiente de festa sem igual; não é também o ronco dos carros que percorrem as ruas desta Cidade; não é, ainda, o ruído áspero dos aviões e helicópteros que cruzam o céu azul de Nonoai... Não, povo do  Alto  Uruguai. O fato  que nos faz experimentar um sentimento jamais vivido dentro de nós, é a presença do Padre Manuel Gomez Gonzalez e do menino ADÍLIO DARONCH, assassinados, há quase meio século, nas densas matas de Feijão Miúdo. - Pe. Manuel Gonzalez, é triunfal teu ingresso ao torrão de Nonoai. é solene e festiva tua volta. Vê aqui, Pe. Manuel, milhares de brasileiros com o coração apertado pela emoção viva, saudando tua volta a esta terra, da qual, como bandeirante da Igreja de Cristo, partiste para o martírio fatal. E agora vê, Pe. Manuel, como nos preparamos para receber teu regresso, com este ambiente de festa, embora haja em cada rua, em cada casa, em cada canto e em cada rosto um sentido toque de nostalgia. Olha, espanhol brasileiro, olha as fitas e os dizeres que este povo, teu amigo, escreveu, traduzindo o sentimento da alma e do coração: “O povo de Nonoai pede novamente tua bênção”. “A vida te foi roubada, mas teu espírito continuará entre nós”; “os nonoaienses querem justiça, pelo menos a justiça de honrar seus heróis”... e outros mais, Pe. Manuel. “Quando, há quarenta anos, daqui partiste para o cumprimento da missão de sacerdote, bem te lembras, Pe. Manuel, ainda bem te lembras como era a então vila de Nonoai. Aqui, uma vila em decadência, embarafustada por meia dúzia de ladrões desordeiros. Ali fora, nas terras cobertas de matas virgens onde o bramido das onças era menos temido que a horda selvagem dos políticos da época; as estradas, há quarenta anos, eram trilhos abertos a facão e batidos a casco de burro. O povo, quase bravio, era possuído de consciência esturricada pelos ódios da revolução de 1923.

“Quarenta anos, Pe. Manuel, distanciavam-te da igreja singela em que rezavas com o povo, em que pregavas ao mesmo povo, em nome de Cristo. Quarenta anos o povo de Nonoai esperou por ti, para ver-te – porque sentia saudade – e para ouvir-te – porque a fé assim pedia. “Volta agora, heroico Padre, e vê que aqui quase tudo mudou. A igrejinha  de madeira, o Pe. Miguel a está substituindo por uma imponente igreja de alvenaria. São largas estradas os carreirões de então. E os ranchos daquele tempo estão mudados em belas residências. As feras cederam seu domínio aos desbravadores; e os bandidos têm hoje o seu lugar apenas na história triste do passado. “Aqui, Pe. Manuel, volve agora teu olhar. Muitos semblantes já não te são familiares. Nem teu coroinha Adílio se lembra deles, porque os anos já vão longe e o tempo é o eterno deformador das fisionomias. Mas olha, Pe. Manuel, olha no meio desta multidão de pessoas e verás que algumas delas não te são estranhas, porque te olham com os olhos cheios de lágrimas. Lágrimas reprimidas há quarenta anos, que agora vertem, aquecidas pela emoção na hora em que retornas, silenciosamente fechado num caixão fúnebre, ao convívio de Nonoai. Acorda o menino Adílio e mostra-lhe as poucas pessoas conhecidas que ainda restam do longínquo e trágico 1924. Assevera ao teu coroinha., Pe. Manuel, como nem todos os vossos amigos tiveram a paciência de esperar pela sua volta. Muitos já partiram. Quase todos. Mas tu, mártir e herói do Alto Uruguai, regressas agora e trazes contigo o mais grandioso acontecimento local: milhares de pessoas ao teu redor, rendendo-te as mais reconhecidas homenagens; aqui em Nonoai o teu nome como epônimo duma rua da Cidade; e por toda a região do Alto Uruguai, tua história de mártir, levada aos céus do Rio Grande e do Brasil por uma enorme cadeia de rádios emissoras. “Ao encerrar esta saudação, Pe. Manuel, agora que voltas a Nonoai e que aqui vais ficar para sempre, olha para este povo; abençoa-nos mais uma vez, a Câmara e o povo de Nonoai faz a ti, Pe. Manuel, este apelo: “Abençoa-nos mais uma vez e pede a Deus que nos dê força e inspiração – a nós de Nonoai e do Rio Grande — para que as violências e os assassinatos que tristemente marcaram o passado da nossa gente, sejam substituídos pela compreensão fraterna e pelo espírito de perdão que Cristo ensinou aos homens. Muito obrigado, Padre Manuel.”

A mensagem supra retrata o clima que então se apoderou da gente e da cidade de Nonoai pela volta das relíquias dos dois heróis do Alto Uruguai. Já não se encontrava mais a modesta matriz de madeira que ele ultimara, mas a nova e alterosa matriz de Na. Sa. da Luz de Nonoai. Por iniciativa de seu sucessor na paróquia, Pe. Miguel De Cock, foi reservado um lugar  de honra para colocar os despojos do antigo vigário e de seu coroinha. Duas placas de mármore trazem, respetivamente, os seguintes dizeres: “Aqui espera a gloriosa ressurreição  dos mortos o PADRE MANUEL GOMEZ GONZALEZ Vigário de Nonoai (1915 – 1924) barbaramente trucidado por anticlericais a 21 de maio de 1924 em visita paroquial no sertão do Alto Uruguai (Feijão Miúdo) – (Três Passos) juntamente com o jovem sacristão ADÍLIO DARONCH ambos aqui solenemente tumulados a 31 de maio de 1964 pelo Sr. Bispo Diocesano D. João Hoffmann, sendo pároco de Nonoai O Pe. Miguel De Cock. Os fiéis reconhecidos lhes puseram esta memória”. Na 2ª placa estão gravados alguns dados biográficos: “PADRE MANUEL GOMEZ GONZALEZ nascido a 29 de maio de 1877 em Pontevedra (Espanha) Pároco da Na. Sra. do Extremo (Arcos-Portugal) (1906 – 1911) Pároco de S. André e S. Miguel de Taias e Barroças Portugal (1911 – 1913) Pároco de Nonoai (1915 – 1924) Ao lado direito da igreja matriz foi construída a Capela dos Mártires, onde jazem em duas tumbas, com estátuas jacentes, os dois Servos de Deus. O Pe. Luiz Hoffmann, pároco de Nonoai, melhorou o ambiente e incentivou as romarias. Os fiéis acorrem devotos a este lugar e na sua fé simples e sincera alcançam favores e graças por intercessão do pároco mártir e do coroinha Adílio. Numa sala anexa encontram-se alfaias sacras  que pertenceram ao Padre Manuel, que aos poucos foram recolhidas e sistematizadas. Os muitos ex-votos manifestam a confiança do povo no poder de intercessão dos dois Servos de Deus. Outra iniciativa louvável do pároco e povo de Nonoai foi o monumento de bronze, levantado frente à matriz, representando o Padre Manuel montado no seu fiel burrinho, e o Adílio, de pé, segurando as rédeas. Foi inaugurado a 28 de maio de 1967, estando  presentes D. João  Hoffmann, bispo  diocesano, D. Cláudio  Colling, bispo de Passo Fundo,

Fonte: Livro Servos de Deus – Padre Arlindo Rubert

 

O relato histórico que segue foi extraído do livro Nonohay: Quem te viu Quem te vive, foi escrito por Olmiro Loures Sperry, o historiador fez parte da Comissão Pró-Volta dos Restos Mortais dos Mártires.

Em 31 de Maio de 1964 depois de percorrer as capelas de toda a região por ele evangelizadas, exatamente na data em que Nonoai comemorava seu 5º aniversário de emancipação político-administrativa, na presença de representantes do Governo do Estado, Deputados e de altas autoridades civis, militares, dos bispos do Passo Fundo - Dom Claudio Colling e de Frederico Westphalen - Dom João Hoffmann – e de grande número de sacerdotes, além de mais de 5.000 pessoas, estando a cidade festivamente engalanada, foram recebidos solenemente os sagrados despojos do Padre Manuel e do seu coroinha Adílio, que descansariam na Urna Mortuária até hora da ressurreição final.

Para organizar o translado dos restos mortais dos Mártires de Feijão Miúdo até Nonoai, Pe Miguel de Cock, juntamente com Olmiro Loures Sperry, foram até a Cidade de Itapiranga-SC a fim de contratar os serviços do Pe. Affonso Hansen para organizar e acompanhar a volta dos restos mortais dos Mártires. Passaram por todas as capelas que existiam no trajeto e por todos os municípios da zona evangelizada pelo Pe. Manuel. Essa peregrinação durou três meses e chegou em Nonoai no dia 31 de Maio de 1964, às 10 horas da manhã. A procissão com as duas urnas contendo os ossos do padre e a outra com os ossos do Adílio, saíram do Posto Bedin, seguiram pela Rua Rocha Loires até a Igreja no centro da cidade. Fato curioso aconteceu: na hora da procissão um bando de milhares de andorinhas saiu da cascata sobrevoaram o andor com as duas urnas até chegarem à Igreja. Também no trajeto, desde o Posto do Bedin e até a frente da Igreja, pombas brancas pousaram sobre o andor onde estavam as urnas. Foi um fato que chamou a atenção do público que assistia E todos foram unânimes: era um milagre.

O número de municípios evangelizados pelo padre Manuel foram 28, a saber:  Nonoai, Alpestre, Planalto, Iraí, Frederico Westphalen, Tenente Portela, Caiçara, Três Passos, Humaitá, Crissiumal, Boa Vista do Buricá, São Martinho, Campo Novo, Braga, Santo Augusto, Redentora, Coronel Bicaco, Seberi, Palmeira das Missões, Rodeio Bonito, Liberato Salzano, Constantina, Vicente Dutra, Palmitinho, Miraguaí.

Esse era o caminho percorrido pelo Pe. Manuel e seu coroinha, sempre montados num burrinho cada um, durante meses numa viagem sertão adentro.

Para termos ideia, o Pe. Afonso Hansen Demorou três meses para percorrer o itinerário todo. Saiu de Feijão Miúdo em março e chegou em Nonoai no dia 31 de Maio de 1964. Esta data marca o início das romarias em ao Pe. Manuel e o coroinha Adílio.

A Comissão Pró-volta dos Restos Mortais para Nonoai, ficou encarregada de mandar construir um monumento, confeccionar a imagem, para manter viva na lembrança como era antes do martírio. O presidente da comissão era o Sr. Olmiro Loures Sperry. O presidente e o Pe. Miguel de Cock, vigário de Nonoai foram a Porto Alegre e contrataram a confecção do monumento com o escultor Paulo Ruschel. O presidente da Comissão juntamente com Pe. Miguel de Cock, percorreram por duas vezes todo o trajeto feito pelo Pe. Manuel, visitando as 26 prefeituras relacionadas anteriormente, bem como, todos os presidentes das Câmaras de Vereadores para ver se conseguiam um numerário para pagar o referido monumento.

Apenas 14 prefeituras colaboraram e seus números foram colocados na placa sobre o pedestal da estátua. No dia 28 de Maio de 1967, com a presença dos senhores bispos de Frederico Westphalen, Passo Fundo, Chapecó e grande afluência de povo, foi inaugurado em Nonoai o belo monumento de bronze como o Pe. Manuel a cavalo abençoando o povo e o coroinha Adílio segurando as rédeas do animal. Assim, sua memória seria edificada e todos seriam abençoados, de geração em geração.

 

Translado dos restos mortais dos beatos Manuel e Adílio, em 31 de maio de 1964

Padre Miguel de Cock, que mobilizou a comunidade para o translado do Restos Mortais dos Beatos Manuel e Adílio, de Três Passos/RS para Nonai/RS

Monumento dos beatos, confeccionado em bronze em Porto Alegre/RS, pelo escultor Paulo Ruschel